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Golpes no Airbnb causam prejuízo a viajantes: veja como não cair em fraudes.

É inevitável: em toda situação de viagem, intercâmbio ou realocação, acontece a busca de hospedagem. Sites de marketplace, como Airbnb e Booking, oferecem uma variedade de opções imensa, mas oportunistas tiram vantagem da fragilidade dos anúncios públicos que possuem uma verificação precária. Enquanto isso, a falta de conhecimento, informações erradas e a ansiedade de fechar um bom negócio sujeitam os consumidores a enganações de diferentes tipos.

Um golpe frequente e altamente engenhoso é a criação de páginas falsas que imitam o site e induzem o pagamento por uma reserva que nunca vai se concretizar.

A internet está repleta de relatos, entre 2016 e 2022, de vítimas ou quase vítimas das mais diversas nacionalidades. Os supostos aluguéis de longo prazo seriam em cidades requisitadas: Nova York, Atlanta, Key West, Dubai, Barcelona, Salamanca, Granada, Madri, Londres, Oxford, Genebra, Zurique, Viena, Porto, Lisboa, Évora, Cascais, Estocolmo, Roma, Munique, Nuremberg, Berlim, São Paulo e Rio de Janeiro.

Numa tacada só, cada pessoa perde, pelo menos, 700 euros (cerca de R$ 3,6 mil). Porém, existem registros de gente que chegou a ter 5 mil euros (cerca de R$ 26,3 mil) roubados.

Tudo isso sem calcular os gastos com uma nova hospedagem, os deslocamentos, as frustrações e o desgaste emocional. Levando em consideração que são mais de uma centena de vítimas, os criminosos já movimentaram milhões.

Como o golpe acontece

As características do crime das páginas falsas, em especial, são muito bem definidas. O primeiro contato costuma acontecer pelo Airbnb oficial ou por sites de classificados, como Craigslist, Idealista, Imovelweb e OLX. Um anúncio que oferece um preço interessante, boa localização e lindas fotos serve de chamariz e, a partir daí, a comunicação é, de algum modo, direcionada para o email.

Depois, o modelo de história é sempre o mesmo, numa escrita que não levanta suspeitas: a pessoa teria se desfeito daquele apartamento ou casa para ir morar em outra cidade ou país. Como o deslocamento seria complicado, uma visita prévia não seria possível, e a melhor opção para o aluguel seria usar o Airbnb como intermediário.

Se valendo da confiança e credibilidade que a plataforma implica, o interessado aceita, além de ter sido tranquilizado em vários momentos de que receberia um reembolso se não gostasse do lugar, de que o “proprietário” era honesto e de que aquilo não era um golpe.

Em seguida, surge um convite de reserva que solicita o adiantamento de um mês, mais um caução (um procedimento comum em aluguéis de longo prazo), num design de email extremamente parecido com os enviados pela empresa original.

Convite de reserva falso usa logo e mesma diagramação do usado Airbnb foi recebido por uma das vítimas Imagem: Reprodução

Alguns dos remetentes FALSOS mapeados são:

express@airbnb-confirmation.pw

express@airbnb.com

airbnb@express-reservation.com

airbnb@booking-info.com

airbnb@booking-confirmation.com

booking@airbnb1.co.uk

airbnbautomated@consultant.com

confirmation@airbnb1.com

booking@airbnb2.com

airbnb@payment-rooms.com

airbnb@booking-customer.com

Como todos incluem o nome do Airbnb em alguma parte, à primeira vista, não parece haver qualquer problema.

Ao clicar no botão de reserva, a vítima é direcionada para uma cópia quase perfeita do site verdadeiro, com avaliações e as informações completas no anúncio (provavelmente clonadas de alguma listagem real), até destacando as políticas de proteção ao consumidor em caso de cancelamento.

Ali, o locatário vai fornecer diversas informações pessoais, inclusive o cartão de crédito. A transação supostamente vai ser negada e então vem o pulo do gato: dados para uma transferência bancária, que torna o processo quase irrastreável.

Os registros mostram que as contas dos bancos receptores podem estar na Polônia, Itália, Espanha, Hungria, Turquia, no Reino Unido e Chipre. E algumas chegam a ter Airbnb no nome do beneficiário.

Os afetados apontam endereços FALSOS utilizados para hospedar as páginas de golpe, que confundem mesmo usuários experientes do site:

airbnb.longterm-airbnbco.uk

airbnb.pt-anuncio.com

airbnb.request-online.com

airbnb-invoice.com

airbnb.com.rooms-long-term-rent.online

airbnb.intinerary-booking.com

airbnb.com-request-booking.space/booking/

airbnb.com-rooms-trips.eu

airbnb-com-room-04891721.synergize.co

airbnb.rooms-listing

airbnb.com-instant-travel-home9681218.space

airbnb.booking-online-info.info

airbnb.pt-rooms-booking-now-jsdhgletusw-37433382305-check-in.com

airbnb.online-listing31212.com

airbnb.co.uk-782742.748275358945.com

airbnb.com-online-booking.eu

airbnb.pt-rooms-booking-now.com

airbnb.com.bookingrooms.online/rooms/

airbnb.rooms2673432112.com

No momento que o pagamento é confirmado, a vítima recebe um email com o código de reserva e informações que assegurem que a acomodação está garantida. Depois de alguns dias, a página é desativada. Mas pode ser que o golpe seja percebido só quando ela esteja na porta do endereço listado e o dinheiro, bem longe.

Camila Ciberi estava buscando um apartamento em Carcavelos, em Portugal, em 2020, e conseguiu evitar um prejuízo de 1.600 euros ao suspeitar que se tratava de uma fraude. Os ladrões contaram aquela história habitual e a brasileira foi checar os dados da suposta proprietária, tudo batia. Como sabia que esse tipo de crime estava sendo bem comum no país, ela notou alguns pontos de atenção e não fez a transferência.

Já o britânico Derek Perry não teve a mesma sorte. Em 2017, ele estava à procura de um local para alugar em Barcelona no Airbnb, quando contatou o anunciante de um anúncio que tinha gostado. Veio a sugestão de continuar a conversa por e-mail. Após algumas perguntas e respostas, chegou um convite de reserva. Ele forneceu os dados do cartão de crédito.

Surgiu uma mensagem dizendo que o sistema de pagamento estava fora do ar devido a atualizações de segurança e que, por isso, ele deveria fazer uma transferência de 600 libras esterlinas (cerca de R$ 3.600) para um banco na Itália.

A maior parte dos golpes faz uso de phishing ao atrair o usuário para um site fora da plataforma oficial do Airbnb Imagem: calvio/Getty Images

“Eu comecei a conversar pelo chat com um suposto agente de suporte ao cliente, que foi me orientando durante o processo. Tudo foi muito convincente e profissional”, relata.

Derek percebeu o golpe quando, passados alguns dias, a reserva confirmada não aparecia em sua conta no Airbnb. Logo, ele entrou em contato com a empresa, munido de todos registros e até o link para a página falsa, que ainda estava ativa, só que nada aconteceu.

“O Airbnb não me ajudou ou ofereceu qualquer ajuda. A resposta deles foi basicamente que eu fiz um pagamento fora do site oficial, então estava por conta própria”

“[Depois disso,] não voltei a usar o site. Entendo que, de certa forma, foi culpa minha. Mas o atendimento ao cliente e a atitude em relação à minha situação foram terríveis”, relembra.

Wendy Howse também vivenciou um pesadelo no mesmo ano; o final, porém, foi mais feliz. Ela estava tentando reservar uma casa de campo luxuosa em Portugal e encontrou o lugar perfeito para as férias em família. Os acontecimentos foram bem-parecidos com o que Derek descreveu.

O pagamento foi feito integralmente por depósito, as quase 1.700 libras esterlinas, e ela chegou até a receber um suposto contrato que listava em detalhe todas as regras da casa e condições do aluguel. Após a perda, o grupo acabou ficando num apartamento bem mais simples do que esperava.

Wendy Howse realizou uma transferência quando recebeu um email que teria vindo do Airbnb Imagem: Reprodução

Revoltada com a falta de responsabilidade da empresa, Wendy decidiu agir como detetive e descobriu que a conta para onde havia enviado o dinheiro estava ligada a um restaurante chinês em Madri. Entrando em contato com seu próprio banco, oferecendo as informações que possuía e insistindo muito, ela conseguiu ter a quantia reembolsada. No entanto, decidiu alertar possíveis vítimas e criou o grupo “Airbnb Scams” (golpes do Airbnb, em português) no Facebook, que reúne todo tipo de queixa relacionada a fraudes e, atualmente, soma quase 300 membros.

“O que mais me chocou é que quando eu percebi que era um golpe, falei no telefone com alguém do atendimento ao cliente [do Airbnb] e ele admitiu que 1% dos anúncios no site são de golpistas, mas não havia nada que poderiam fazer”, desabafa Wendy. E acrescenta: “É inacreditável que eles saibam disso e não façam algo para impedir”.

O que diz o Airbnb

O Airbnb é uma plataforma de aluguéis residenciais de curta duração, com seis milhões de anúncios em 220 países e regiões.

Sobre os golpes, a assessoria de imprensa enviou um comunicado a Nossa: “o Airbnb se tornou uma das empresas de viagens mais confiáveis.

“Possuímos uma Central de Ajuda 24 horas por dia, 7 dias por semana, em 42 idiomas, incluindo português, para auxiliar anfitriões e hóspedes em situações de emergência”, lembra.

Realizando as reservas pelo aplicativo, o cliente tem direito a reembolso e realocação em caso de problemas sérios. Mas a companhia se isenta da responsabilidade sobre qualquer transação feita fora do domínio Airbnb.com.

A única forma de pagamento aceita em contas brasileiras é o cartão de crédito.

Airbnb: empresa não se responsabiliza por transações feitas fora da plataforma Imagem: Getty Images

Monitoramento é necessário

O advogado especializado em crimes virtuais Bruno Koga afirma que a empresa que tem seu nome ou marca utilizada em golpes também é vítima, porque não consegue ter o controle sobre isso. Porém, uma entidade grande teria o dever de zelar por sua imagem e fazer um monitoramento.

“Caso tenha conhecimento de que tais práticas estão ocorrendo e nada faz, creio que seja possível responsabilizá-la”.

Ele indica que, nesta situação o Airbnb, poderia ter avisos na home page sobre a existência de páginas falsas e estar em contato com os provedores que hospedam os endereços para que haja a remoção. “Tudo isso é de custo irrisório para as sociedades empresárias”, explica.

Como se prevenir

A criação de uma página falsa para conseguir informações pessoais tem nome: phishing – termo em inglês que lembra ‘pescaria’, em português, justamente por ter estratégias que buscam iscar pessoas desavisadas na internet.

No entanto, desta vez, o crime tem um agravante porque a vítima, além de poder sofrer no futuro com o uso de seus dados, perde uma grande quantia instantaneamente.

Como o Airbnb não está tomando atitudes suficientes para a conscientização e prevenção, cabe aos consumidores se informarem e manterem sempre um ceticismo.

Três sinais para identificar um golpe no Airbnb

– Às vezes, há menção nas conversas a um suposto agente que vai auxiliar no processo de reserva ou entregar as chaves, essa função não existe e nunca foi oferecida pela empresa.

– A segunda questão é a ferramenta de chat de suporte, que também não está presente no site verdadeiro.

– E a terceira, é que, por uma questão de segurança, endereços não são revelados no anúncio; a única referência à localização deve ser um mapa no final da página com uma posição aproximada.

Email recebido por Wendy Howse que listava as garantias de se fazer uma suposta reserva pelo Airbnb Imagem: Reprodução.

Atenção também ao endereço das páginas

Entretanto, existem cópias que não geram suspeitas por nenhum dos pontos acima, então o indício chave é a URL, o endereço da página. As barras de endereços legítimas são simples, airbnb.com ou algo específico de um país, como airbnb.com.br, it.airbnb.com, airbnb.at, airbnb.co.uk. Sites seguros também têm o desenho de um cadeado bem no início, à esquerda.

Antes de sair clicando em links duvidosos inseridos em botões, passe o mouse sobre o ícone, sem apertar nada, para checar o local de redirecionamento.

Na dúvida da autenticidade de uma página ou um email, você pode abrir um chamado no site original, com os dados que tiver. Ademais, é válido procurar o anúncio de seu interesse usando o aplicativo do Airbnb.

São vários processos e isso pode parecer cansativo e sem sentido, mas se você evitar um prejuízo de milhares de reais, vai perceber que não é perda de tempo.

É importante lembrar que toda a comunicação deve ser mantida na própria plataforma.

Denuncie qualquer anfitrião que solicite a conversa ou o pagamento fora dali. E transferências bancárias não são aceitas oficialmente, utilize os sistemas internos.

O que fazer se for vítima

Caso você se depare com uma página projetada para se parecer com o Airbnb, envie a URL para https://www.airbnb.com.br/report-phishing e repasse os emails para report.phishing@airbnb.com.

Se alguma senha pessoal ou dado de cartão for comprometido, é bom trocar seus acessos e cancelar aquele meio de pagamento.

O advogado. Bruno Koga comenta que as atitudes principais a serem tomadas nesse cenário são: fazer um Boletim de Ocorrência com o máximo de detalhes, preferencialmente em delegacias especializadas em crimes virtuais, e entrar em contato com a instituição financeira/ banco e a plataforma verdadeira para tentar um estorno. Mover uma ação contra a empresa por ausência de proteção ao consumidor é uma possibilidade, mas o sucesso não é garantido, porque isso depende do entendimento do juiz que ficaria responsável pelo processo.

Com certeza, golpes não se restringem ao Airbnb e podem se estender a outros sites de hospedagem. Então mantenha a máxima atenção e analise cuidadosamente cada oferta antes de fazer qualquer pagamento.

FONTE / REPRODUÇÃO: Portal de Notícias UOL / Por Redação: Isabella Galante – Colaboração para Nossa Viagem / Coluna Nossa Viagem / São Paulo, SP / Foto Capa: Golpistas utilizam diversas estratégias para atrair viajantes para fora da plataformaImagem: AlexLMX/Getty Images/iStockphoto

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